O Turismo, além do lazer e das viagens, deve ser visto e analisado como atividade econômica: responsável por 7,5% de empregos e por 8,1% do PIB no Brasil (2018). É um dos setores mais afetados pela pandemia da covid-19 e será o com maior dificuldade de retomada.

Como será, então, o processo de recuperação da atividade turística pós covid-19?

Antes de (tentar) responder essa pergunta, é importante entender o que está acontecendo agora.

Para isso, dividi o artigo em duas partes:

  1. Cenário Atual
    • Setor Aéreo
    • Setor Hoteleiro
    • Agências de Viagem
  2. Cenário pós pandemia
    • O perfil do turista 
    • Destinos visitados
    • Medidas de segurança

Cenário atual

1. Setor aéreo

No Brasil, desde o início das medidas de isolamento social, houve a redução em 90% do número de voos no Brasil. Gerando prejuízos e demissões em massa nas três companhias aéreas que atuam no país – Gol, Latam e Azul.

A Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA), afirma que o segmento nacional terá receita reduzida em US$10,2 bilhões (53% menor que no ano passado). E, que a crise no setor aéreo será responsável pela queda em US$5,6 bilhões do PIB global.

Na última semana de Julho, a Latam anunciou a demissão de 2.700 funcionários, um corte equivalente a 38% do total de tripulantes. E a azul anunciou cerca de 1.000 demissões até o momento.

Enquanto a Gol teve prejuízo de quase 2 bilhões no segundo trimestre do ano e anunciou demissões em Guarulhos.

2. Setor hoteleiro

A hotelaria no Brasil ainda estava no processo de recuperação da recessão de 2015 a 2017, a situação piorou com a crise gerada pela pandemia, que causou a inatividade de quase 70% da hotelaria corporativa ligada à redes. 

Desde Maio, após o Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC) definir uma série de protocolos para a hotelaria mundial, os meios de hospedagem começaram a reabrir.

E, apesar da ocupação reduzida, 69% da hotelaria de rede brasileira voltou a abrir no mês de Agosto e os outros 31% têm previsão de abertura até Setembro.

3. Agências e operadoras de turismo

Em Abril, as operadoras de turismo brasileiras já contabilizavam uma perda equivalente a 25% de todo o faturamento de 2019. Um estudo da Braztoa (Associação Brasileira das Operadoras de Turismo) estima que as operadoras de turismo deixaram de faturar cerca de R$4,5 bilhões por conta do covid-19.

Segundo esse estudo, Abril foi o pior mês vendas, mas Junho já mostrou o retorno das comercializações, com 69% das empresas associadas realizando vendas. Entretanto, essas vendas correspondem a apenas 10% das registradas no mesmo período em 2019.

A CVC, por exemplo, maior operadora de turismo no Brasil, levava 20 mil pessoas para viajar por dia antes da pandemia e já anunciou a perda de R$756 milhões.

Cenário pós pandemia

A retomada da atividade turística pós pandemia será lenta e gradual, dependente dos seguintes fatores:

Mesmo com a vacina, a previsão de aceleração do setor é só a partir de 2021, com os negócios retornando a níveis pré-crise somente em 2 anos e 6 meses.

Como será, então, o perfil desse “novo” turista? Quais serão os destinos visitados? E quais serão as medidas de segurança adotadas?

1. O perfil do turista

O uso da internet no Brasil aumentou entre 40% e 50% desde o início da quarentena, esse dado afeta o modo como as pessoas consomem e se relacionam com as empresas.

Os celulares são uma extensão do nosso corpo e nós estamos cada vez mais conectados e dependentes de provas sociais para fazer as nossas escolhas. Os empreendimentos turísticos precisam estar presentes no mundo digital para conseguir conquistar clientes.

Mais do que nunca, o turista está exigente e demonstra preocupação com o consumo consciente e responsável. Esse comportamento reflete na busca por viagens ligadas à natureza e o desejo por experiências personalizadas, em contraste ao turismo de massa.

O estudo da Braztoa mostrou que as demandas são de autonomia e flexibilidade por parte das agências e acesso a um alto número de informações antecipadamente.

As pessoas vão querer viajar para se encontrar com o novo, se deslocando a destinos próximos que permitam viagens de curta duração e que sejam acessíveis por terra. Evitando pegar avião ou embarcar em cruzeiros pelo medo de uma segunda onda de contágios e a possibilidade de ficar “preso” longe de casa.

2. Destinos visitados

Outro estudo realizado pela Braztoa mostra que 8 a cada 10 brasileiros com viagem marcada antes do Réveillon viajará para destinos nacionais, com maior fluxo para as regiões Nordeste e Sudeste

Viagens para Ásia, Europa e América do Norte tem procura, mas com embarque previsto apenas para 2021.

O que vem acontecendo e é a tendência para os próximos meses, é a procura por destinos secundários com perfil de lazer, visando a fuga do turismo de massa e de aglomerações. Cidades como Petrópolis (RJ) e Gramado (RS) já se mostram fortes.

3. Medidas de segurança

Dentre as novas medidas de segurança no turismo pós pandemia, a principal é a intensificação da limpeza, junto ao uso obrigatório de máscara e promoção do distanciamento social com sinalização no piso e em cadeiras.

Além de barreiras sanitárias em rodoviárias e aeroportos. É provável que, assim como para a Febre Amarela, alguns destinos solicitem a apresentação do cartão de vacinação para covid-19.

Bom, essas são algumas previsões. E você? Pensa diferente? Deixe a sua opinião nos comentários 🙂


Lohraynne Fernandes

Assessora de Marketing na LEVE Consultoria e Gestão de Projetos

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